Marvellous/e-escritos


20/02/2011, 02:05
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          São Paulo ( a melhor cidade do mundo) é uma das capitais mais globalizadas e influentes do planeta. Também possui altos níveis de poluição atmosférica e hídrica. Tem muitos cantos culturais e salas de cinema, da mesma forma que sérios problemas de distribuição de água, pois tem de buscá-la em bacias hidrográficas relativamente distantes. O mesmo não se pode dizer do índice pluviométrico, que parece aumentar ano após ano. Naqueles dias de calor escaldante (o pior calor do mundo), que você  tem por certo que vai usar aquela sandalinha de dedo super charmosa – e afinal você também esteve na pedicure  - desista. Fique em casa, se puder, e se precavenha com velas. Ou vá para um lugar que possua um gerador próprio de energia, um cinema. Mas se for um cinema de shopping center, evite estacionar no téreo. Ou poderá ter uma surpresa, e sair de lá com o carro guinhcado.    

 

         A gente acha que já viveu de tudo, que já passou por tudo, ou quase tudo, mas quando a chuva lima sua energia, é aquilo.  

         Achamos que somos tão independentes, que lemos, meditamos (?), fazemos reiki, e não precisamos de ninguém, além de acreditarmos piamente que não há melhor companhia que um livro. Mas ficar involuntariamente sem internet ainda parece o fim do mundo.

         No último caso desse, retomei a leitura daquele livro por tanto tempo almejado e conseguido depois de anos numa reunião de sebos pela internet. (como não tive esse ideia genial e profícua antes?) Tentei retomar a eterna limpeza de coisas inúteis pela casa. Roupa alguma para lavar. Nada na tv para ver.

         Ligo para o provedor, e a previsão de retorno é de uma hora. Pacientemente, tentando me acalmar (afinal eu sou reikeana), vou ler. Mas não avanço mais que vinte páginas. Vou me livrar dos papéis inúteis; não é um momento de leitura, estou calma, está tudo sob controle (afinal há coisas piores nessa vida). Ufa, uma hora se foi e lá vou eu esperançosa para o computador. Nada. Provedor afirmando o mesmo horário de antes.

         Faço listas do que fazer no dia seguinte (um minuto), assino e dato os livros novos (um minuto e meio), checo novamente a internet. Ligo para o provedor. Previsão de retorno em quatro horas. Desespero quase total.

         De repente tento analisar friamente a situação. Pera lá: só por que você está sem checar emails há aproximadamente nove horas? Sem ver sua fazenda? (bane of my life, farmville.) Sem ler as últimas notícias, principalmente as postadas através do facebook? (convenhamos, tem gente que é um verdadeiro clipping no facebook! não estou a  reclamar, eu adoro).      

         Decido enfrentar uma antiga pasta com recortes de jornal. O primeiro que me vem às mãos é de uma receita, na verdade, uma reportagem de nutricionistas do SESI que sugerem ‘do café ao jantar por apenas 1 real’ (adoro essas coisas).  O que há do outro lado? Uma entrevista com o Deepak Chopra, falando sobre saúde física, mental e do ‘dharma’ (propósito de vida) de cada um. Meu Deus! Mas meu dharma agora é ter acesso à net.

         Muita besteira (fotografia de uma plantação de ranúnculos na Califórnia), mas muita coisa interessante ali. “O mundo encantado dos Skrotinhos”; uma das minhas charges preferidas, do Paulo Caruso, (Nicéa numa vassoura de bruxa, devidamente ornamentada: – Minha vingança será maligna, não deixarei Pitta sobre Pitta!), e o que me parece ser mais um sinal, um texto do Scliar, que ele escreve às segundas feiras, baseado em notícias publicadas em certo jornal. O nome? ‘O filho virtual’. A notícia? ‘ Norman Nise, da Universidade de Stanford, nos EUA, chegou à conclusão de que a ampliação do uso da internet produz isolamento. O internauta dedica menos tempo a seus familiares, a seus amigos.’ (editorial, 20.fev.2000)

         Qual o critério desse pesquisador?

         Decido que o meu dharma nesse momento é abrir um vinho e esperar pela internet. (afinal, estou calma e há coisas muito, muito piores nessa vida).




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