Marvellous/e-escritos


que presente? ou qual carro? (e uma observação bastante perspicaz)
12/06/2010, 02:05
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           Uma amiga minha anda num dilema sobre o-que-comprar-para-o-novo-namorado-homem-da-vida. Eu sugeri kits de flores masculinos com nomes simpáticos, como o “Kit Ele é charmoso” ou “Kit Meu namorado” ou ainda “Kit Declaro meu amor”. Ela refuta e diz não ter ideia do que comprar para ele.

           Lembro-me então de que na minha família, independente da ocasião, ou mesmo na falta dela, tínhamos a mania de mandar telegramas uns para os outros. Meu amado avô e maman me enviavam pelo menos uns três por ano. Um parabéns pelo aniversário, parabéns pelo exame conquistado ou um simples amo você. Minha amiga Joana também me mandava sempre, outras amigas também. Eu digo mandava, porque com o advento da tecnologia, ele parece ter perdido sua função imediatista que havia antigamente. Sem contar que o infeliz novo sistema telefônico colabora para o esquecimento definitivo do telegrama, (apesar sim de ainda existirem!) quando hoje nem todos possuem telefone fixo. Pena. São muito charmosos. Tenho todos até hoje.

           Em suma, isso era só para dizer que eu sugeri que ela agregasse um telegrama fonado ao presente, fosse ele um kit flores ou não. Ela também disse, para minha surpresa, que já fez bastante uso de telegramas fonados. (Será se ele foi uma unanimidade de certa forma e eu não sabia disso?)

           Quando a gente acha que dinheiro é o problema, dilema mesmo é decidir o que comprar, mesmo quando você é a co-autora do próprio presente. Pessoalmente, acho um saco ficar sem carro. Acredito, como uma boa brasiliense, que nasci para dirigir assim como para andar. Mas teve lá seu lado bom tornar-se uma pedestre nesses tempos, pegar ônibus de vez em quando, o que pode ser agradável desde que você não tenha que cumprir com horários. Bom mesmo é papear com os taxistas. Primeiro, eles parecem estar a par de todas as fofocas do mercado automobilístico. Alguns chegam a um nível de sofisticação e usam termos como lençol freático. São geralmente bem espiritualistas. Alguns são artistas, como o querido Miranda, que muito me ensinou a dirigir em São Paulo, ele no táxi e eu o seguindo com meu carro . 

           Outro dia discorria sobre carros com um taxista bastante simpático que me salvou de um ônibus errado. Ele vira e diz, “e o novo Uno, você já viu?” “ah, sim, bem bonitinho.” “Pois é, agora é o momento de comprar! Até daqui uns dois anos você vai pagar de gatinha! Agora é o momento, cara! Depois não adianta…”




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