Marvellous/e-escritos


sobre o homem, a doença, o céu e a terra.
27/04/2010, 02:05
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              Nunca pensei que um escritor pudesse deliberar tanto sobre a doença e a morte, como fez John Donne em “Meditações”. Mais que a morte em si, a condição do homem, ressignificando-o, ora pequeno, àquele que dá ouvido “às falsas riquezas, ao falso conhecimento”, ora como parte mais nobre da Terra.

              Católico, depois anglicano por pressão, em um Inglaterra do século XVI, cheio de inferências teológicas, a metáfora terra/corpo céu e alma surge também para explicar que os seres alados galgaram um caminho em ascensão aos céus, mesmo se valendo dos degraus de uma escada.

              Dividido em capítulos nomeados por longas frases, em inglês e latim, reproduzo aqui os nomes. Maravilhoso, metafísico e emocionalmente excessivo.

              1. A primeira Alteração, o primeiro Rancor da Enfermidade (Insultus morbi primus)

              2. A Força e a função dos sentidos, e de outras faculdades, se altera e fracassa (Post actio laesa)

              3. O paciente jaz em seu leito (Decubitus sequitur tandem) 

              4. O médico foi chamado (Medicusque vocatur)

              5. O médico chega (Solus adest)

              6. O temor do médico (Metuit)

              7. O médico deseja que outros se unam a ele (Socios sibi jungier instat)

              8. O rei encaminha o seu próprio médico (Et rex ipse suum mittit)

              9. Sob sua consulta, eles prescrevem (Medicamina scribunt)

              10. Eles encontram a doença que se infiltra insensivelmente, e se empenham em encontrá-la mesmo assim (Lente et serpepnti satagunt occure re morbo)

              11. Eles usam fortificantes para manter o veneno e a malignidade da doença longe do coração (Nobilibusque trahunt, a cincto corde, venenum, succis et gemmis, et quae generosa, ministrant ars, et natura, instillant)

              12. Eles aplicam emplastros para sacar os maus vapores de sua cabeça (Spirante columba supposita pedibus, revocantur ad ima vapores)

              13. A enfermidade declara a infecção e a malignidade através de manchas (Ingeniumque malum, numeroso stigmate, fassus pellitur ad pectus, morbique suburbia, morbus)

              14. Os médicos observam esses incidentes que têm atacado nesses dias críticos (Idque notant criticis medici evenisse diebus)

              15. Não durmo nem de dia nem de noite (Interea insomnes noctes ego duco, diesque)

              16. Dos sinos da igreja adjacente, diariamente me recordo de meu enterro através do funeral dos outros (Et properare meum clamant, et turre propinqua, obstreperae campanae aliorum in funere, funus)

              17. Agora este sino, tocando tão suavemente para os outros, para mim afirma: “Vós deveis morrer” (Nnunc lento sonitu dicunt, moreris)

              18. O sino toca e conta-me através dele que eu estou morto (At inde mortuus es, sonitu celeri, pulsuque agitato)

              19. Ao final, os médicos, após uma longa e agitada jornada, veem terra: eles têm assim bons sinais da regressão da doença, e podem seguramente proceder à purificação (Oceano tandem emenso, aspicienda resurgit terra; vident, justis, medici, jam cota mederi se posse,indiciis)

              20. Sob estas indicações dos assuntos compreendidos, eles prosseguem com a purifucação ( Id agunt)

              21. Deus prospera no ofício, e Ele, através deles, chama Lázaro para fora de sua tumba, e eu para fora de meu leito (Ataque annuit ille, qui, per eos, clamat, linquas jam, lazare, lectum)

              22. Os médicos consideram a raiz e a ocasião, as brasas e o carvão, e a razão de ser da enfermidade, e assim procuram purificar ou corrigi-la (Sit morbi fomes tibi cura)

              23. Eles  me previnem do terrível perigo da recaída (Metusque, relabi)

    

 



se soubesse inglês eu seria incrível.
26/04/2010, 02:05
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             Olha, realmente, quem me dera poder atribuir a mim a autoria dessa frase que eu achei genial. Mas a responsável por ela foi a Lu.

             Minha amiga Luciana se mudou para Buenos Aires de mala e cuia. Só que ela sempre foi porteña de alma. Nasceu em São Paulo bem por acaso. Desígnios de Deus para a gente conhecê-la. Já trocou MPB por Almendra e açúcar por dulce de leche. E foi estudar cinema, faculdade, enfim. Numa felicidade que só.

             Entre a vida, os amores e nossas plantações, ela solta essa: “Se soubesse inglês eu seria incrível.”   

             Não sei bem ao quê ela se referiu, tanto que passada a crise de riso e as saudades que só aumentaram, tive que entrar novamente no msn para perguntar: “Baby, por que você pensou isso? Se soubesse inglês eu seria incrível?” “Porque eu ia entender o farmville completamente.”

             Vai entender esse fenômeno que é, de certo modo, um reflexo das pessoas. Muita gente joga ou quer uma. Há quem tenha assassinado todas as vacas e voltado a jogar. Eu mesma, contemplativa que sou, só me interesso por itens de colecionador, flores e vasos. Tenho vários repetidos, afinal a fazenda é grande, são quase trinta vizinhos. Quando conseguir trinta, ela ficará maior e precisarei de mais vasos e flores. Mas não consigo me desfazer dela. Já faz um ano, tenho coisas que muita gente não tem e faria de tudo para comprar. SE, estivessem à venda. (hahahaha!)

             Normalmente, acharia incrível se fizesse ou soubesse várias coisas ou línguas. Mas acho incrível ter uma amiga como a Lu. Além de ser minha personal revisora de português, apesar dos eventuais erros já incorridos por aqui (não atribuídos a ela), essa frase vem recheada de algo que só ela tem, como certo domingo de madrugada: “Lu, quer emoticons, consegue ver?” “Ai Flá, tô com preguiça, exige muita ginástica?”




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