Filed under: Uncategorized
A primeira coisa que eu li em guias de viagens a respeito dos israelenses, e que me marcou, foi que eles são extremamente informais.
Fui a Tel Aviv visitar um amigo texano que mora em Dallas e que partiria no dia seguinte de Israel. Andando pela Rua Allenby, a caminho do mercado Carmel, avistei o Café Bialik, que já havia se tornado um dos meus lugares favoritos na bela cidade. “Aquele lugar é bem agradável” , acrescentei, já sugerindo uma paradinha. A rua Bialik é uma rua linda, cheia de prédios Bauhaus e famosa por abrigar os Museus Bialik e Rubin.
Queríamos sentar do lado de fora, o dia estava lindo, portanto as mesas estavam lotadas. Cody avistou duas senhoras e dois senhores e perguntou à garçonete se poderíamos ficar com uma das mesas. “Não. Aquela senhora não está com o grupo, está sozinha”. “Nesse caso” , ele diz, ”vou perguntar se podemos nos juntar a ela”. ”Serei bastante educado”, ele sussura em meus ouvidos.
Beijou sua mão, nos apresentou, e ela nos recebeu em sua mesa com simpatia. Ela disse que isso em Israel era bastante comum. ”Não no Brasil”, eu disse ( e já nem estou tão certa disso agora ). ”Nem nos Estados Unidos”. Nossa conversa foi vasta e por vezes estendeu-se à mesa ao lado. Dallas, Scholem Aleichem, Brasil, hambúrgueres americanos X hambúrgueres israelenses, Agnon.
“Mas como podem traduzir Agnon? Agnon …é…hebraico moderno!” Os senhores concordaram, salvo a outra senhora, que soltou um lama lo? ”Sim, por que não?”, eu disse. Eu lhe disse que apesar de não saber hebraico, a tradução de Schalom Aleichem me parecia boa, visto que o humor permanecia intocável (ele escrevia não só em ídiche, mas também em russo e hebraico). Ela estava lendo Harlan Cohen, Hold Tight. Eu disse que não conhecia.
Hadassa nasceu em 1 de fevereiro de 1929. Deixou a Polônia aos 4 anos com a família para instalarem-se em Tel Aviv. Os 13 irmãos do seu pai não quiseram ir. Não resistiram anos depois. Ela nunca quis voltar à Polônia.
Trabalhou como diretora e professora de escola primária. Ela disse ter frequentado muito a casa de Bialik quando criança, assim como outras crianças da rua. Eu me surpreendi e ela confirmou: ”Líamos através da biblioteca dele. Não havia muitos livros em Tel Aviv essa época”. Ela mencionou algo sobre pintura, disse que pintava.
O filho mora em Londres e é professor de uma faculdade na Grã-Bretanha. Os netos moram em Israel. A neta mora com ela e atualmente vai ao exército. “ Inteligente demais. Isso assusta os homens “. Ela pergunta sobre nós com a mesma curiosidade com que perguntamos dela. “Ela não é fofa? “, Cody diz olhando para mim. ” Vocês se verão novamente? “ Dissemos que sim, sim!
Ela aproveita que Cody se ausenta para o banheiro e pergunta minha idade. Ele logo volta e diz, é mesmo, ainda não chegamos nesse assunto! O suficiente para que Haddassa lhe desse um fora. “ Nunca se deve perguntar a idade de uma mulher! “
Estávamos vislumbrado um cafezinho, quando, de repente Hadassa diz: “ sabe, vou fazer hoje algo que raramente faço, vou convidar vocês para tomarem um café lá em casa “. Nos entreolhamos assustados, lisonjeados, pagamos a conta – ela insistiu para que deixássemos a gorjeta, ” as pessoas que trabalham aqui são atores e artistas, não tem dinheiro “.
Caminhamos um pequeno pedaço da Rua Bialik enquanto ela dizia particularidades da rua. ” Essa loja é muito cara, aqui vem muita gente gay, o rabino dessa sinagoga é doido, diz que o messias está chegando “. Seu apartamento tem as paredes mais brancas que eu já vi, por mais bobo que isso possa parecer. Pareciam recém-pintadas. Nelas, dezenas de quadros, desenhos e óleos. Além de cartazes de exposições de Hadassa em lugares como Alemanha e Japão. Assim como estávamos ansiosos por chegar lá, ela parecia mais ansiosa ainda em nos mostrar seu trabalho. Foi logo ao aconchegante quarto-ateliê e tirando várias pastas do lugar, nos mostrou um por um o que ainda havia guardado. Sob a mesa, algum desenho ainda incabado.
Perguntei quanto custaria um, caso quisesse comprar e ela diz que eu não teria dinheiro para isso. A última exposição foi no Japão, há três anos e todos os quadros foram vendidos na noite de estreia. Eu pergunto por quê ela não quer mais vender e ela diz que já ganhou dinheiro suficiente com eles.
Eu estudo um jeito de lhe perguntar sobre o seu marido. ” Morreu há alguns anos “. “ E vocês foram casados muito tempo? “ ” Seis, sete anos “, ela diz. ” Ele não gostava que eu pintasse, nem do meu trabalho “. ” Bom, provavelmente se tivesse continuado casada não teria conseguido todo esse sucesso “. ” Sem dúvida que não “, arremata.
Diz que não acredita muito em casamento, e que quando sua neta pergunta se ela tem que casar, ela diz que não, você não tem que se casar. A neta mora na cobertura, mas Hadassa fez uma pequena reforma de modo que ela não tenha que passar pelo apartamento da avó, mantendo assim sua privacidade.
Hadassa é fã de internet mas contra as redes sociais. Adora street art e nos mostrou alguma coisa que me escapa à memória agora. Eu lhe mostrei alguns grafittes brasileiros. Já a fotografia, ela diz considerar uma arte menor mesmo. Seus pintores favoritos são Rubin e Frida Kahlo.
Ela disse que gosta muito de ir à igrejas e que tem uma coleção de Ave Marias em cds. ” Ao contrário das sinagogas, que são lugares para agrupar pessoas, as igrejas são lugares de interiorização “.
Quando eu acho que esse momento tão especial está por acabar, ela tira uma pasta, menor que as outras, e pede que a gente escolha um desenho cada, desenhos com um lindo passe partout em tecido.
Depois disso Cody insiste ainda mais para saber quanto custa um quadro. “ Vocês americanos querem saber de tudo! ” Ela acaba falando um número qualquer, que o deixou impressionado. ” E agora, você me ama mais por isso? “
O mais avassalador que poderia acontecer à Hadassa pintora, está acontecendo: ela está perdendo a visão.
Hadassa tem uma pessoa que a ajuda três vezes por semana além de uma faxineira. Pessoa que foi inclusive sua aluna.
Agora ela nos expulsa de lá dizendo que tem que descansar. Não houve cafezinho. Não tivemos tempo para isso. Ela também não quis tirar fotos.
![307537_10150262000031685_617751684_7906778_5518956_n[1]](http://marvellouseescritos.files.wordpress.com/2011/10/307537_10150262000031685_617751684_7906778_5518956_n1.jpg?w=420&h=313)
![307537_10150262000011685_617751684_7906776_3097564_n[1]](http://marvellouseescritos.files.wordpress.com/2011/10/307537_10150262000011685_617751684_7906776_3097564_n1.jpg?w=420&h=313)



Filed under: Uncategorized
São Paulo ( a melhor cidade do mundo) é uma das capitais mais globalizadas e influentes do planeta. Também possui altos níveis de poluição atmosférica e hídrica. Tem muitos cantos culturais e salas de cinema, da mesma forma que sérios problemas de distribuição de água, pois tem de buscá-la em bacias hidrográficas relativamente distantes. O mesmo não se pode dizer do índice pluviométrico, que parece aumentar ano após ano. Naqueles dias de calor escaldante (o pior calor do mundo), que você tem por certo que vai usar aquela sandalinha de dedo super charmosa – e afinal você também esteve na pedicure - desista. Fique em casa, se puder, e se precavenha com velas. Ou vá para um lugar que possua um gerador próprio de energia, um cinema. Mas se for um cinema de shopping center, evite estacionar no téreo. Ou poderá ter uma surpresa, e sair de lá com o carro guinhcado.
A gente acha que já viveu de tudo, que já passou por tudo, ou quase tudo, mas quando a chuva lima sua energia, é aquilo.
Achamos que somos tão independentes, que lemos, meditamos (?), fazemos reiki, e não precisamos de ninguém, além de acreditarmos piamente que não há melhor companhia que um livro. Mas ficar involuntariamente sem internet ainda parece o fim do mundo.
No último caso desse, retomei a leitura daquele livro por tanto tempo almejado e conseguido depois de anos numa reunião de sebos pela internet. (como não tive esse ideia genial e profícua antes?) Tentei retomar a eterna limpeza de coisas inúteis pela casa. Roupa alguma para lavar. Nada na tv para ver.
Ligo para o provedor, e a previsão de retorno é de uma hora. Pacientemente, tentando me acalmar (afinal eu sou reikeana), vou ler. Mas não avanço mais que vinte páginas. Vou me livrar dos papéis inúteis; não é um momento de leitura, estou calma, está tudo sob controle (afinal há coisas piores nessa vida). Ufa, uma hora se foi e lá vou eu esperançosa para o computador. Nada. Provedor afirmando o mesmo horário de antes.
Faço listas do que fazer no dia seguinte (um minuto), assino e dato os livros novos (um minuto e meio), checo novamente a internet. Ligo para o provedor. Previsão de retorno em quatro horas. Desespero quase total.
De repente tento analisar friamente a situação. Pera lá: só por que você está sem checar emails há aproximadamente nove horas? Sem ver sua fazenda? (bane of my life, farmville.) Sem ler as últimas notícias, principalmente as postadas através do facebook? (convenhamos, tem gente que é um verdadeiro clipping no facebook! não estou a reclamar, eu adoro).
Decido enfrentar uma antiga pasta com recortes de jornal. O primeiro que me vem às mãos é de uma receita, na verdade, uma reportagem de nutricionistas do SESI que sugerem ‘do café ao jantar por apenas 1 real’ (adoro essas coisas). O que há do outro lado? Uma entrevista com o Deepak Chopra, falando sobre saúde física, mental e do ‘dharma’ (propósito de vida) de cada um. Meu Deus! Mas meu dharma agora é ter acesso à net.
Muita besteira (fotografia de uma plantação de ranúnculos na Califórnia), mas muita coisa interessante ali. “O mundo encantado dos Skrotinhos”; uma das minhas charges preferidas, do Paulo Caruso, (Nicéa numa vassoura de bruxa, devidamente ornamentada: – Minha vingança será maligna, não deixarei Pitta sobre Pitta!), e o que me parece ser mais um sinal, um texto do Scliar, que ele escreve às segundas feiras, baseado em notícias publicadas em certo jornal. O nome? ‘O filho virtual’. A notícia? ‘ Norman Nise, da Universidade de Stanford, nos EUA, chegou à conclusão de que a ampliação do uso da internet produz isolamento. O internauta dedica menos tempo a seus familiares, a seus amigos.’ (editorial, 20.fev.2000)
Qual o critério desse pesquisador?
Decido que o meu dharma nesse momento é abrir um vinho e esperar pela internet. (afinal, estou calma e há coisas muito, muito piores nessa vida).
Filed under: Uncategorized
Fácil não, viu. Ser madrinha de casamento.
O trabalho maior se dá em torno da entrega do convite. Verdadeira odisséia.
Minha amiga Helena tenta me achar pela cidade mesmo sabendo que não é na melhor cidade do mundo que eu cumpro meu dever cívico de contribuir com o segundo turno. Finalmente, conseguimos encontrar certa sexta feira na rua Augusta. Por ocasião da urgência da entrega, esperamos sob famoso chuvisco de São Paulo, a garoa. Que em breve se tornaria um aguaceiro.
Depois de saborear a mais famosa das especiarias japonesas, abro precipitadamente (?) o invólucro que envolve o convite. Mas gente, isso me pareceu algo mínimo, desprezível quase. Inócuo. Quem é que guarda o invólucro de algo feito de material flexível e quase aderente, chamado de plástico? Rasgo o tal plástico sem noção do que faço e sou então acusada de ter a delicadeza de um elefante. “Ninguém fez isso! Ninguém teria feito!” Pois bem, fui a primeira então. Deixei passar essa. Mas que ela que se lembre de que quem está a serviço dela sou eu. Ou ela crê que ser madrinha não me exige trabalho algum? A começar pelo meu visual que agora terá que ter um capricho redobrado. Tampouco fui defendida pela amiga (?) Mari que me acompanhava no temaki, a tal especiaria japonesa descoberta ao acaso após cuspes no peixe envolto por arroz levado a bordo por marinheiros pelos mares do outro lado do mundo. Ela vira e diz: “tem certeza que ela será sua madrinha?” Tudo bem, tudo bem, deixe vir o próximo convite para madrinha, farei com que ela se arrependa de algum modo. Pode crer.
O próximo drama é chamado fita. Ou laçinho, para as mais dóceis. No caso deste, foi um verdadeiro drama, que quase leva a cabo o relacionamento. Também, quem manda casar com alguns poucos meses de namoro? Também sou acusada de insensibilidade com o laçinho. Uma fitinha de seda, dourada, delicadamente amarrando o tal convite, que eu, a essa altura, e há muito tempo, já sabia do que se tratava. Por que tanta cerimônia, meu Deus? Tudo bem, nunca me casei, só quase algumas vezes, mas bem sei eu que um laçinho tem por função amarrar o convite e nada mais.
Lá vou eu com meu jeitinho de elefante tirar a tal fitinha, que como já relatei aqui, foi motivo de discórdia, mas é aquele lance, quando Deus abençoa um casamento, abençoa mesmo!
Filed under: Uncategorized
Que prazer tem sido acompanhar essa novela. A abertura ficou a mesma de antes, conferindo certa intimidade para alguns, a música também. Gostei também da arte entre uma cena e outra. Mas os diálogos…Ah, os diálogos! Estão primorosos. O vocabulário, mais sofisticado. Às vezes, parece que estamos lendo uma boa cena de comédia, sem se afastar da linguagem televisiva. Os personagens estão fantásticos. Essa composição do personagem estilista com trejeitos e a psique feminina, porém tão sedutor e masculino ao mesmo tempo, é atual e interessante.
Uma vez eu li (e não posso identificar a autoria aqui, pois não me lembro) que “a repetição reproduz sem diferença o que foi feito, enquanto que a retomada extrai do passado o que foi, para construir o futuro.” Era a respeito de Alain Robbe-Grillet e o nouveau Roman. Espero que a retomada de Ti Ti Ti seja inspiradora e entre para uma nova era das telenovelas. Mais inteligentes, engraçadas e sofisticadas. Elenquei aqui algumas pérolas.
“ Isso não foi nada perto do carnaval de 87 em Salvador. Diz a lenda que eu rolei o Pelourinho abaixo pedindo para todo mundo me morder que eu era um acarajé! Que grande carnaval foi aquele!” Jaqueline Maldonado (Claudia Raia)
” Eu duvido que há nessa criaturinha um único cromossomo fashion! ” Ariclenes (Murilo Benício)
“ Mais vale um gosto do que 10 mil dolares no bolso! ” Jacques Leclair (Alexandre Borges)
“ Eram filhas do mesmo pai. E filhas da mesma mãe. E amavam o mesmo homem.” filho gêmeo de Jacques Leclair
“ Crianças, o álcool é o pior inimigo do homem. Mas um homem que foge dos seus inimigos é um covarde.” Jaqueline Maldonado
“ Ai que susto!
Estou apenas perscrutando você. Tentando entender porque você tão obstinadamente desejou ser minha nova mãe.” filho gêmeo de Jacques Leclair e Jaqueline Maldonado
“ Valeu, filho! Amanhã eu compro o seu cd da Madame Bovary!
Madame Bovary não é cantora! Madame Bovary é personagem de Flaubert! “ filho gêmeo de Jacques Leclair e o pai
“ Tanto esforço, tanto ensaio, tanto dinheiro investido para isso: para nada. Jogado tudo por água à baixo por causa de um pudim bêbado.” Ariclenes (Murilo Benício)
“ Quatro páginas! Muito melhor do que a gente imaginava!
Eu não acreditei quando a Suzana me ligou! Isso merece um brinde, você não acha?
Isso merece um ritual! Olha que competente! Tintin!
Tintin! Ao futuro fulgurante de Jacques Leclair!
E eu? Não vou brindar?
Olha a empregada querendo ter fala! Você ta pensando o quê, querida? Isso aqui não é novela de Manoel Carlos não! Ra! Isso aqui não é Leblon, vai trabalhar minha filha! “ Jaqueline Maldonado, Jacques LeClair e a empregada
“ Você nao está me reconhecendo?
Ah, inteiramente! A madame foi aquela que se acabou na festa!
Nós dois nos acabamos naquela festa, lembra? Nós fomos a alma daquela festa! Rsrs..exímio balairino você, Sr.Francisco Torrão!
Ô louco! Isso mesmo.
Grande partner! Aliás o partner que toda dama gostaria de ter!” Jaqueline Maldonado e Francisco Torrão
” Victor Valentim existe mesmo??? Eu tô perdido! É o fim de Jacques Leclair!
O que você conquistou ninguém tira de você!
Hã, Alexandre o Grande também pensava assim.
Também vou marcar uma hora com esse tal Valentim.
Mas quem é você? Minha filha ou o bebê de Rosemary?
Pai, eu só quero ver de perto esse fenômeno.
Se você fizer isso eu confisco o seu computador, entendeu?” Jacques Leclair, sua mãe e os dois filhos gêmeos
Filed under: Uncategorized
Dar sempre uma passadinha pelo msn, nem que seja para um ‘ boa tarde irmão! ’ ou ‘ tudo nos trinks, né? ’, porque, se você passa a não aparecer muito, por qualquer motivo que seja, e mesmo que seja um motivo importante, ele vai reclamar. “ Que coisa! Você some do msn! ”
Seu outro amigo é super guloso, e acompanhá-lo pelos cantos culinários da cidade te custa muito: seja no bolso ou em calorias, mas é um esforço que há de ser feito de vez em quando. Ou ele põe você no gelo por uns dias. Nada agradável.
Nunca confesse que seu amigo, que no caso também é seu primo, está acima do peso. Mesmo que ele insista. Esse tipo de menção é fatal para a vaidade de qualquer homem.
Entre sempre na onda das brincadeiras: fale bastante besteira, dê apelidos, diga que ama ama ama seu amigo, quando ele repete incessantemente: você precisa me amar! você precisa me amar! você precisa me amar! (afinal a coisa tem que ser correlata e toda demanda é uma demanda de amor, já dizia Dr. Freud). Depois jure de pés juntos que tudo o que disseram ficará somente entre vocês. Para sempre.
Inteire-se dos assuntos que eles apreciam: seu amigo do coração curte teledramaturgia? Fique a par do que acontece nas novelas. (Será um plus se você decorar as falas mais engraçadas para que possam rir juntos.)
Não deixe de demonstrar certo ciuminho quando uma menina os paquera. Não por você ser a favor de ciúmes, mas porque eles também fazem a mesma coisa no seu caso.
Colocar sua varanda à disposição caso algum deles queira quebrar algo para passar a raiva. E não se esqueça de oferecer um chocolate no final.
Contar, de vez em quando, momentos antológicos de su vida, por exemplo, quando foi à garagem certa manhã com meias de girrasol furadas, havaianas, calça de pijama, camiseta e óculos escuros para resgatar os celulares que você esqueceu no carro à noite. E ter que ouvir “ só faltou o whisky e o som de Gloria Gaynor ”. ( Mas isso só de vez em quando mesmo…só para não ficar muito atrás do que eles fazem.)
Aceitar a proposta de tê-los como padrinhos do seu um-dia-quem-sabe, neném.
Concordar com a distância dos que estão longes, mesmo que o aniversário deles tenha passado sem celebração e você morra de saudades. Para tudo há um motivo.
Palpitar em fotos. E enlouquecer juntos, sempre. Together!
Defender seus amigos eternamente, de tudo que seja dissimulado, afinal, são seus brothers. E você prometeu envelhecer com eles.
Filed under: Uncategorized
Desconhecido por mim até folhear uma antiga revista de decoração americana chez moi, Koloman Moser foi um expoente do art nouveau vienense. Decorador, designer de móveis e objetos, ilustrador, pintor, fez jóias, selos, molduras de quadros e cuidou da arte gráfica do jornal Ver Sacrum. Provavelmente fez mais que isso.
Movimento artístico batizado com tantos nomes diferentes, (liberty, modern style, secessão, jugendstil, style métro, style nouille, modernista, iate e floral), o art nouveau representou o rompimento, definitivo, do estilo histórico que o precedeu. Havia um quê de futurismo e realidade. Por isso tantos termos aplicados a ele contem referências à modernidade, à inovação e à juventude.

Rejeitaram o naturalismo e com ele, brigaram. Mas não é que não gostassem da natureza; eles a idolatravam na verdade. Simplesmente achavam que não deviam copiá-la, e sim ir mais fundo, buscando o processo de criação da própria natureza. Por isso as formas fluidas e linhas entrelaçadas tão características do art nouveau.


Moser fez parte da Secessão de Viena junto com o grupo de Klimt e dela separou-se mais tarde; junto com seu amigo Josef Hoffmann fundou o Wiener Werkstätte, um estúdio que viabilizaria o projeto de ambos e de onde também sairia alguns anos depois.

Tido em alta conta pela sociedade vienense, principalmente pelas mulheres, ele pensava no mínimo detalhe até a concepção final de uma casa, de um tecido, uma estampa, a uma jóia, vaso, cinzeiro ou painel. Uma beldade recém casada que foi pintada por Klimt, Margaret Stonborough-Wittengenstein, chegou a afirmar na época que o apartamento do casal “é a coisa mais linda que se possa imaginar e extremamente aconchegante.”

Filed under: Uncategorized
Uma amiga minha anda num dilema sobre o-que-comprar-para-o-novo-namorado-homem-da-vida. Eu sugeri kits de flores masculinos com nomes simpáticos, como o “Kit Ele é charmoso” ou “Kit Meu namorado” ou ainda “Kit Declaro meu amor”. Ela refuta e diz não ter ideia do que comprar para ele.
Lembro-me então de que na minha família, independente da ocasião, ou mesmo na falta dela, tínhamos a mania de mandar telegramas uns para os outros. Meu amado avô e maman me enviavam pelo menos uns três por ano. Um parabéns pelo aniversário, parabéns pelo exame conquistado ou um simples amo você. Minha amiga Joana também me mandava sempre, outras amigas também. Eu digo mandava, porque com o advento da tecnologia, ele parece ter perdido sua função imediatista que havia antigamente. Sem contar que o infeliz novo sistema telefônico colabora para o esquecimento definitivo do telegrama, (apesar sim de ainda existirem!) quando hoje nem todos possuem telefone fixo. Pena. São muito charmosos. Tenho todos até hoje.
Em suma, isso era só para dizer que eu sugeri que ela agregasse um telegrama fonado ao presente, fosse ele um kit flores ou não. Ela também disse, para minha surpresa, que já fez bastante uso de telegramas fonados. (Será se ele foi uma unanimidade de certa forma e eu não sabia disso?)
Quando a gente acha que dinheiro é o problema, dilema mesmo é decidir o que comprar, mesmo quando você é a co-autora do próprio presente. Pessoalmente, acho um saco ficar sem carro. Acredito, como uma boa brasiliense, que nasci para dirigir assim como para andar. Mas teve lá seu lado bom tornar-se uma pedestre nesses tempos, pegar ônibus de vez em quando, o que pode ser agradável desde que você não tenha que cumprir com horários. Bom mesmo é papear com os taxistas. Primeiro, eles parecem estar a par de todas as fofocas do mercado automobilístico. Alguns chegam a um nível de sofisticação e usam termos como lençol freático. São geralmente bem espiritualistas. Alguns são artistas, como o querido Miranda, que muito me ensinou a dirigir em São Paulo, ele no táxi e eu o seguindo com meu carro .
Outro dia discorria sobre carros com um taxista bastante simpático que me salvou de um ônibus errado. Ele vira e diz, “e o novo Uno, você já viu?” “ah, sim, bem bonitinho.” “Pois é, agora é o momento de comprar! Até daqui uns dois anos você vai pagar de gatinha! Agora é o momento, cara! Depois não adianta…”
Filed under: Uncategorized
Uma mulher em TPM e um homem também.
TPM, irritada, e sem vontade de comer nada magnífico.
Como foi?
Depois de muito conversar, e estados levemente depressivos, Dav acha que a solução se encontra no brigadeiro da padaria da esquina. “Um minuto, já volto”, ele diz sério.
Após chateações corriqueiras com os próximos, decidimos resolver nosso futuro avant-Corpus Christi, enquanto outra amiga insisti numa viagem celebração Corpus Christi.
David tem a brilhante idéia de ir para Bogotá. Aprovado no mesmo segundo mas sem exaltação, até porque esperava pelo meu aval superior, a Mama. Enquanto ele já traçava um trajeto paralelo onde me incluiria sem a devida permissão com um amigo do outro lado.
Rotas, passagens, trechos, milhas, MSN, guerra nas estrelas. Depois de me informar de toda epopéia traçada, ele finaliza: “Vou sábado para Montevideo, volto terça para Buenos, encontro você e ficamos em albergue. Ok? O que achas? Porque você só pode ir pra lá terça mesmo, né?”
Com os sentimentos de uma criança que teve, no meu caso, o Falcon roubado, foi como eu fiquei.
“Você desistiu de Bogotá?”
Varias desculpas, milhas, passagens, rotas, guerra nas estrelas.
“Então, porque veja, no mesmo avião não vai dar pra ir de qualquer forma porque minhas passagens são de milhas entendeu?”
“E Bogotá não tem?”
“Entao Bogotá é uma ideia também, mas aí já falei com o Fabio de Montevideo e Punta del Leste…”
“Humm.”
“E eu queria passar uns dias em Buenos também né…. você não quer Argentina?”
Sentindo o claro boicote a Bogotá, ele vai mudando de assunto e tenta me dispersar.
“Achei bem bom os banheiros, o que acha?”
Sem dúvida que instalações desse tipo são importantes em qualquer viagem; eu jamais menosprezaria banheiros e suas respectivas tomadas.
Obstinada em minha missão, eu tento persuadi-lo mostrando quanta coisa há na Colômbia depois dele dizer que não havia tanta coisa assim para se fazer por lá.
“Colômbia: ônibus antropológico leva a praia discreta.” “Museu Botero.” “Olha que bonitinho esses albergues, ouve só a música!” “É exótico Dav! É tão américa latina! Muitas fotos lindas! Várias delas! Você não pode ir para lá na terça?”
“Mas eu já confirmei com o Fábio! Bogotá é muito mais caro!”
“Agora fiquei com Bogotá na cabeça! Por que você foi falar disso? Por que? Por que? Por que? Culpa sua!”
“Para de ser menina má! Você tá me deixando louco!”
Ele me convence pelas tarifas, mas voando essas tarifas eu passaria o dia no avião. Ia acordar e jurar estar no velho continente e arriscaria um francês qualquer, moi.
Depois de ser acusada pelo meu amigo de querer ir pro narcotráfico, depois de mais de três horas discutindo rotas pelo msn, minha cuca fundiu e disse adeus!, amanhã continuamos, que tal?
“Ta bom! Vamos só recapitular?”
“Não! Quero inclusive dormir. Adeus.”
“Adeus é muito forte! Até amanhã!”